Infância

Quando somos pequenos queremos ser grandes e quando nos apercebemos que já somos adultos a nossa vontade é de rebobinarmos o filme da nossa vida e voltar atrás, ao tempo em que eramos tão felizes e nem sabíamos. Onde as coisas mais simples eram de tal maneira valiosas que, mesmo sem sabermos, ficaram registadas até hoje e, por isso, nos dá vontade de viajar no tempo só para podermos voltar a senti-las de novo.

Eu vou muitas vezes à minha infância para relembrar as coisas boas que me ficaram na memória e, muitas delas, tão simples que daria tudo para poder voltar a tê-las de novo. Na verdade, eu ainda tento recuperar algumas delas quando, por exemplo, vou a Portugal e à praia. No fundo, é aqui que vejo que uma ida à praia nunca é só uma simples ida à praia. A praia, essa também não é qualquer uma. Há uma especial que é aquela onde passei tantos verões da minha infância a brincar na areia, a sentir dentro de mim a euforia de cada vez que ia à água, a ouvir as histórias hilariantes dos “vizinhos” do lado, a sentir o sol a tocar na minha pele e a saborear um gelado como se nada de melhor no mundo houvesse. E, claro, não posso esquecer o que mais me marcou que era o pequeno almoço. Adorava ficar sentada e enrolada numa toalha virada para o mar a admirar e a ouvir as ondas enquanto tomava nas minhas calmas o meu leite quente com cacau. Não sei muito bem o que pensava nesta altura, sei que tinha uma grande admiração pelo mar e que ele me fazia sentir muito bem. Ficava ali no momento presente com a minha atenção plena direcionada para ele.

Ainda hoje faço questão de lá ir. É verdade até já levei o café, como a minha avó costumava fazer, para sentir um pouco de aconchego ao segurar a chávena quente nas mãos enquanto entregava ao mar os meus pensamentos e as minhas emoções. Na verdade eu não só entregava mas também recebia muito dele. Aliás, recebia e recebo porque é lá que me conecto comigo mesma, com a minha essência e com tudo o que ela desperta em mim. Por isso uma ida às minhas raízes e à praia, que fez parte da minha infância, é o mesmo que ir buscar parte de mim que possa estar esquecida ou ofuscada pelo adulto que me tornei.

Este ano, para comemorar o dia 10 de Junho que é o dia de Portugal, dia das comunidades Portuguesas e dia de Camões, a rede “Famalicenses pelo Mundo” convidou todos os famalicenses que moram no estrangeiro a enviar um video ou fotos sobre este dia.

Já no ano passado eu tinha participado e não queria repetir o que tinha feito, por isso, embora andasse atarefada com imensas coisas dei por mim a pensar no ditado que diz: “quem quer arranja um jeito, quem não quer arranja uma desculpa”. E foi, por isso, que apesar de estar um pouco sobrecarregada não quis arranjar uma desculpa para falhar com um projeto no qual tenho tanto carinho.

E foi então que, já sem grande tempo para pensar, decidi partilhar um poema que fiz sobre a Infância e que foi premiado no 7°Concurso Poético do Cancioneiro – Infanto Juvenil para a língua Portuguesa promovido pelo Instituto de Piaget.

Toda a minha infância foi em V.N. de Famalicão, a terra que me viu nascer , crescer e que é responsável agora por todo este sentimento de saudade que guardo dentro de mim. E foi tudo isso que me fez pensar que partilhar este poema faria todo o sentido.

Podem ver aqui:

Sem grandes expectativas ficou a sensação de missão cumprida mas a surpresa veio depois quando algumas pessoas me escreveram agradecer por ter partilhado um poema que as fez viajar até à infância delas e em particular uma pessoa que gostou tanto dele que até pretende usá-lo num trabalho escrito que está a fazer sobre a infância. Desta pessoa fiquei também a saber que acompanha com muito gosto tudo o que escrevo aqui no meu blogue. Isto foi muito gratificante.

O que quero dizer com isto é que por vezes somos tentados a não fazer algumas coisas por todos os motivos e mais alguns. Mas quando lançamos a mais simples semente da nossa simplicidade e partilhamos aquilo que somos na verdade podemos ter surpresas muito boas. Foi isso que aconteceu nesta situação. Foi bom ser acarinhada, confesso. Quem não gosta de o ser? Foi uma surpresa porque o que faço não é com o intuito de ter muitos seguidores e quem me conhece sabe disso mas saber que toco o coração de alguém cai sempre bem. Partilho o que penso e sinto conforme vai sendo possível e se mesmo assim o que escrevo faz sentido para quem me lê tanto melhor.

Gostava de partilhar aqui o que me surge na cabeça tal como se estivemos numa simples conversa de jardim, sabes? Por isso, mesmo que não me respondas, eu vou-te deixando também algumas perguntas que me vão ocorrendo tais como:

O que é que fazes para te conectares com a tua essência? Com aquilo que faz vibrar o teu coração?

Tiras tempo para as coisas simples que te fazem sentir de novo criança?

O que é que te anda a desviar de dares atenção a essa criança que tens dentro de ti?

O que é que tu adoravas fazer na tua infância e que ainda hoje podes fazer? De que é que estás à espera para fazer isso?

Que comida é que te faz lembrar a tua infância? Quando é que foi a última vez que a comeste? O que é que sentiste?

O que é que estás a evitar fazer, simplesmente porque achas que não vai acrescentar valor nenhum, e que por isso nem vale a pena tentar?

Agora antes de me ir embora gostava de te pedir para procurares uma fotografia tua de quando eras criança. Quero que olhes bem para ela que aprecies tudo dessa criança desde a parte física à expressão dela e que nunca te esqueças de quem realmente és!

Muita magia, paz e alegria ❤

Sofia

Categorias Pedacinhos de mim

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