Medo de arriscar?

Hoje falei de amor. E dessa conversa conclui que, de facto, é algo que não podemos quantificar.

Quando alguém diz que nos ama temos sempre duas escolhas: acreditar ou recusar essa verdade que nos é apresentada. E é, por isso, que o amor é tão especial porque ou confiamos (mesmo sem ter qualquer garantia de toda a felicidade que ele nos pode proporcionar) ou então arriscamo-nos a perder uma grande oportunidade de sermos felizes.

Tudo na vida é uma escolha e não há garantias de nada seja do que for, por isso, dar e receber amor será sempre um risco que só quem decidir abrir o seu coração poderá saber se, realmente, valeu a pena ou não.

Não há outra forma de o saber. Não há garantias do que quer que seja a não ser confiar.

Penso que amar é isto. Não ter garantias de nada e mesmo assim decidir continuar esse caminho desconhecido. Só arriscando é que podemos perceber, o que é que nos faz feliz e se a escolha que fizemos faz sentido ou não. E, caso algum dia a conclusão acabe por ser outra, é importante não esquecer que depois desse caminho não seremos os mesmos e que aprendemos sempre alguma coisa com tudo aquilo que vivemos.

A propósito de decidirmos confiar é importante lembrar que as escolhas estão sempre nas nossas mãos seja em que ponto estivermos da nossa vida.

Isto para dizer que, quando algo deixa de fazer sentido, o melhor é parar de dar corda ao que não nos leva a lado nenhum porque vida só temos uma e nós nascemos para sermos felizes e não para sofrermos.

Estive muitas vezes com o meu coração fechado a sete chaves ou a funcionar, apenas, a cinquenta por cento. O medo era o que liderava cá dentro. Tanto que o lugar onde fiquei acabou por ser um lugar que não queria mas que era confortável pelo simples facto de ser o lugar que eu sempre conheci.

Isto é estranho, não é? Não gostamos de estar onde estamos, contudo, é o lugar onde nos sentimos mais seguros, onde sentimos ser, de facto, o lugar certo. Pois é o desconhecido muitas vezes, apesar de ser o que nos desperta curiosidade e de ser algo que desejamos, não deixa de ser desconhecido.

E como reagimos a algo desconhecido?

Regredimos, afastamo-nos e voltamos para onde estávamos. Por muito que seja um buraco bem escuro e sem vida. Voltamos para a masmorra do medo que adoptamos como sendo a nossa casa. Penso que o medo de voltar amar alguém vem de já termos sido brutalmente magoados no passado ou das vezes sem conta que tentamos arriscar fazê-lo e nenhuma delas deu certo. E é por isso que acabamos por associar o acto de amar a dor. Isso acaba por ficar registado dentro de nós como uma verdade e vai nos impedindo de abrir o nosso coração e nos convencendo, ao longo do tempo, que perdemos a capacidade de amar. Essa verdade que registamos no nosso corpo vai levar-nos a pensar que: sempre que vamos amar alguém isso vai implicar voltar a sofrer então para evitar a dor evitamos amar. E assim vamos perdendo a capacidade de amar e vamo-nos apagando aos poucos daquele que é dos sentimentos mais poderosos que existe para o ser humano que é o amor. Um sentimento tão poderoso que até é capaz de curar. É verdade é possível curar através do coração, do amor.

Há sempre uma vozinha cá dentro que teima em gritar alto sempre que nos aproximamos de algo que é desconhecido e que lança o alerta como se estivéssemos em perigo para nos afastarmos de imediato. E isto é perfeitamente normal! O medo faz parte de nós e ainda bem que ele existe a questão é com que intensidade é que ele é sentido porque quando acaba por ser em excesso impede-nos de avançar.

E como permanecer no desconhecido que tanto queremos quando a vozinha do medo não pára de nos atormentar para voltarmos para a nossa masmorra?

Aqui diria para não lhe darmos importância. É normal ela existir e estar lá mas não lhe vamos dar tanta importância quanto ela quer. Vamos reduzir o volume dela e permanecer o máximo tempo possível no desconhecido. E lá, observar com todos os teus sentidos o que ele te provoca. Que sensações positivas tens? Gostavas de ficar? O que te faria regressar ao teu anterior lugar? Olha bem para onde estás. Faz sentido voltares atrás? É lá que queres viver ou queres atrever-te a ver o que este lado te pode mostrar? Aos poucos vais perceber que é tudo novo e a segurança que tanto estavas habituado e que procuras é algo que só o tempo te pode dar. Por isso te pergunto:

Vais continuar a dar atenção à vozinha do medo e regressar ou vais querer ficar e mudar o teu sitio? O sitio que queres que seja o teu novo porto seguro.

É verdade que as únicas certezas que temos é o agora, o momento presente. E acho que devemos estar conscientes de que tudo acaba. Seja de que maneira for tudo tem um fim. Até nós próprios, por isso, deixar de arriscar o que quer que seja por estarmos já a pensar nas possibilidades de futuros desfechos que nos possam magoar é apenas desperdício de tempo e de energia. O que o futuro nos trará ninguém sabe e quanto à felicidade penso que não é algo que encontramos algures ou em alguém. Penso também que não há um caminho para chegar à felicidade mas sim que a felicidade é o caminho.

E depois de toda esta reflexão reformulei a minha forma de pensar e deixei o meu amor existir com todo o espaço que ele precisa repetindo vezes sem conta que :

“É seguro para mim abrir o meu coração”.

Categorias Sem categoria

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Hours É proibida a cópia do conteúdo aqui exposto sem que seja referida a devida fonte do mesmo
Create your website with WordPress.com
Iniciar
%d bloggers like this:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close