Vamos ao mar?

De todos os verões já passados neste fica a faltar o mar. Mas não é um mar qualquer. É o mar que me embalou a infância.  O mar que, mesmo em dias de nevoeiro cerrado, me fazia sentir aconchegada com a chávena do leite quente com cacau numa mão e o pão morno com manteiga a derreter, na outra. Pelas costas ficava um casaco grosso de malha ou uma das toalhas de praia, para me sentir mais aconchegada. Se o sol tardasse em aparecer aproveitávamos para ir molhar os pés e “ver se a água estava muito fria”. De caminho espreitava por entre os rochedos pois havia sempre algo para descobrir. Pelo menos para mim que me encantava sempre com as coisas mais simples. No regresso à toalha os meus olhos iam atentos para encontrar “beijinhos”. Gostava do nome, das formas e das cores que eles tinham. Nesses dias de praia havia sempre histórias por ouvir. Dos meus avós ou dos vizinhos do lado. Faziam-se amizades com muita facilidade e partilhavam-se brinquedos e lanches. Lá para o meio da tarde passava a senhora a vender a língua da sogra, as pipocas, os tremoços, mas também marroquinos a venderem tapetes e óculos de sol. Admirava-os pela força que tinham em percorrer, diariamente, todo o areal sempre muito carregados. Questionava-me se valia, de facto, a pena todo aquele esforço. Foram verões que nunca pensei que fossem ficar guardados, mas não poderia ter sido de outra forma porque provei das melhores coisas mesmo sem saber. Coisas essas como: o desfrutar do sol na minha pele, as brincadeiras na areia, os sonos recuperadores dentro das famosas barracas de pano, o pôr do sol e o carinho com a que a minha avó preparava todo o nosso dia para que não nos faltasse nada. Todo o cheiro a maresia e o barulho do mar, como cenário de fundo, fez dele um dos atores principais na história da minha vida. Levou com ele, vezes infinitas, as lágrimas do meu rosto e fez delas as suas ondas, mas também já presenciou olhares despidos de palavras e beijos repletos de emoções.

Num lá e cá, ele faz parte de mim é um facto. E, esteja onde estiver, o desejo será sempre de voltar para o poder abraçar tal e qual abraçava o meu avô quando me perguntava: “vamos ao mar? Vamos até lá ao fundo”?  Lembro-me que, na altura, era uma pergunta desafiadora porque se por um lado adorava a magnitude do mar, por outro tinha medo das ondas. Sentia-me tão pequenina que tinha medo de que a força das ondas me levasse para longe dos que eu mais amava. Contudo, o meu avô fazia questão de, ainda quando estávamos no areal, me prometer que jamais me iria largar. Mesmo com o medo a fervilhar dentro do meu corpo, eu confiava e ia. Sempre que vinha uma onda maior fechava os olhos e agarrava-me a ele com toda a força. Hoje, apesar de já não ter os meus avós comigo, também é assim quando me deparo com alguma dificuldade. Fecho os olhos, agarro-me com confiança ao que me faz bem e logo, logo o que me assusta já tem passado. E depois? Depois fica a euforia, tal e qual, como quando era pequena e a maior onda passava por mim. Dou um suspiro de alívio e, tal como naqueles tempos, digo: “Eu consegui. Eu fui capaz. Já passou”!

E por muito que “as ondas” não parem de aparecer fica a ecoar, lá bem dentro de mim, a frase: Eu sou capaz!

Ancorada em mim ficou toda a confiança de que estou segura venha a onda que vier. E ao fechar os olhos, apesar de ser já um passado bem longínquo, ainda consigo ouvir a voz do meu avô a gritar: “vem aí outra, vem aí outra onda. Não tenhas medo que eu seguro-te”.

São tantas as coisas que ficaram daqueles tempos que hoje, ao olhar para trás, vejo que toda a persistência em enfrentar grandes desafios vai muito além das figuras franzinas que são mostradas por muitos. Vejo que o que somos é muito mais do que o vemos e reparo ainda como as pequenas coisas podem ter um sabor especial, tal como a chávena de leite quente com cacau e o pão morno com manteiga a derreter num simples pequeno almoço na praia! Desses tempos ficou muito mais do que pensei e fica também a certeza de que o mar, esse, vai estar sempre ali à minha espera para me fazer mergulhar na saudade sempre que eu quiser e continuar a levar para longe o que não me faz bem. Não me importa se está calor ou frio o que importa é nunca perder de vista o que me faz, realmente, bem. E o mar, em especial o da Póvoa do Varzim, esse vai estar sempre debaixo do meu olhar.

O mundo encantado da Aromaterapia Os meus cinco minutos

Sou muito de sentir. Gosto de sentir tudo com intensidade e absorver  o mundo a minha volta com todos os meus sentidos. Mas de facto,  O mundo dos cheiros para mim é mágico e quis saber mais sobre uma terapia que me anda a despertar muita curiosidade faz já algum tempo que é a aromaterapia. E como eu acredito que nada acontece por acaso numa das certificações que estou a tirar conheci a Mírian Sousa. Ela, além de ser uma pessoa com um coração encantador, é professora de educação infantil e aromaterapeuta. Como eu sou muito curiosa e adoro tudo o que esteja relacionado com terapias holísticas e que promovem a cura e bem estar de forma natural não quis perder a oportunidade de saber tudo sobre este mundo encantado do aromaterapia e, por isso, convidei a Mírian para estar comigo no meu Podcast “os meus cinco minutos” para nos contar tudo como a aromaterapia  pode melhorar a nossa qualidade de vida. Podem entrar em contacto directo com da minha convidada aqui :  https://www.instagram.com/miria_nsousaaromaterapia/ https://www.facebook.com/miriansousa.aromaterapia — This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app Support this podcast: https://anchor.fm/sofiagomes/support
  1. O mundo encantado da Aromaterapia
  2. Infância
  3. 17* Abrir o coração
  4. 16* o errado está certo
  5. 15* O que andas a ouvir?

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2 opiniões sobre “Vamos ao mar?

  1. Maria José Almeida 29 de Outubro de 2020 — 09:36

    Lindo, adorei… Parabéns 👏 👌❤️

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    1. Obrigada Maria José Almeida. Um beijinho 🙂

      Gostar

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